{"id":99,"date":"2021-01-11T16:31:25","date_gmt":"2021-01-11T16:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/joaonora.com\/?page_id=99"},"modified":"2021-02-03T15:24:17","modified_gmt":"2021-02-03T15:24:17","slug":"texts","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/joaonora.com\/index.php\/texts\/","title":{"rendered":""},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Jo\u00e3o Nora<\/strong> &#8211; <strong>Blow Up &#8211; Imagens de Realidade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Montesinos &#8211; publicado em: <em>Art Notes<\/em>, n\u00ba 14, Mar\u00e7o de 2007<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a pintura tem assistido ao reconhecimento e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da sua capacidade de mudan\u00e7a e adapta\u00e7\u00e3o face \u00e0s novas realidades e paradoxos do mundo contempor\u00e2neo. Ambiciosas exposi\u00e7\u00f5es colectivas de perfil internacional s\u00e3o reflexo desta tend\u00eancia global, \u00e0 qual os artistas portugueses n\u00e3o s\u00e3o alheios nem indiferentes. Do heterog\u00e9neo conjunto de jovens artistas nacionais que t\u00eam realizado uma aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 pintura desde uma atitude reflexiva, enquanto pr\u00e1tica manual detentora de valores est\u00e9ticos que apenas ganham sentido associados a uma ideia ou projecto determinado, distinguem-se as propostas de Jo\u00e3o Nora (Cantanhede, 1979).<\/p>\n\n\n\n<p>Licenciado em Pintura pela Escola Universit\u00e1ria de Artes de Coimbra (ARCA-EUAC), entre 2004 e 2005 frequentou o curso avan\u00e7ado de artes visuais da MAUMAUS, em Lisboa. Desde 2000, Jo\u00e3o Nora tem exposto de forma regular, destacando-se a sua participa\u00e7\u00e3o na colectiva <em>Projektraum &#8211; The Art of Critical Thinking and Transmuting Experience: Film and Video<\/em> (Kunstraum, Innsbruck, 2005), assim como as mostras individuais na Sala Post-Ite do Edif\u00edcio Artes em Partes (<em>Iconmarch\u00e9<\/em>) e no Espa\u00e7o [410] Showroom da galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o (<em>Mimesis Project<\/em>), ambas apresentadas no Porto, em 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>No <strong>Projecto Mimesis<\/strong>, o artista mostrou uma s\u00e9rie de tr\u00eas pares de pinturas id\u00eanticas de grande formato, pr\u00f3ximas do <em>look<\/em> publicit\u00e1rio e baseadas em fotografias de supermercados, cada par assinado e datado em simult\u00e2neo. Apesar das obras duplas terem sido executadas a partir da mesma imagem fotogr\u00e1fica, Jo\u00e3o Nora optou, deliberadamente, por estimar uma delas como \u201coriginal\u201d, legitimando essa qualidade atrav\u00e9s de um certificado de autenticidade, enquanto a outra era designada \u201cc\u00f3pia de autor\u201d. Este factor de diferencia\u00e7\u00e3o, de extrema relev\u00e2ncia no mercado da arte, \u00e9 levado \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias ao definir valores desiguais para as obras \u2013 do par de pinturas, o pre\u00e7o de venda da \u201coriginal\u201d era mais elevado do que o da \u201cc\u00f3pia\u201d. Os elementos representados, objectos de consumo de produ\u00e7\u00e3o massiva e industrial dispon\u00edveis em qualquer hipermercado, acentuam a explora\u00e7\u00e3o do artista sobre a rela\u00e7\u00e3o entre original e c\u00f3pia e o v\u00ednculo existente entre valor art\u00edstico e valor econ\u00f3mico. E mais, o facto de exibir e contextualizar um projecto desta natureza numa galeria, espa\u00e7o prim\u00e1rio do neg\u00f3cio da arte, incita o questionamento dos mecanismos de valora\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria do objecto art\u00edstico, pois, neste caso, foi o pr\u00f3prio autor o respons\u00e1vel pelo conceito comercial subjacente \u00e0 proposta e n\u00e3o o galerista. Estamos, portanto, perante a no\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio da arte como obra de arte em si mesma, como reflexo do jogo econ\u00f3mico que se instaura em torno da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, cujo valor mercantil aparece aqui conceptualizado. De facto, a conceptualiza\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Nora faz dos aspectos financeiros da obra de arte outorga ao seu trabalho um vigor cr\u00edtico que n\u00e3o tem por objectivo arremeter contra o sistema da arte, pelo contr\u00e1rio, assume-se como elemento integrante da engrenagem capitalista do mercado, jogando com alguns dos seus crit\u00e9rios e princ\u00edpios para configurar um espelho par\u00f3dico da situa\u00e7\u00e3o (actual?) da arte contempor\u00e2nea, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 febre inversora na obra de arte \u00fanica e \u00e0 sua falta de racionalidade econ\u00f3mica.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas de Junho ser\u00e1 inaugurada na galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o do Porto a mais recente iniciativa do artista, <strong>Projecto R<\/strong>, uma s\u00e9rie de pinturas que j\u00e1 desfrutaram de uma breve <em>preview<\/em> na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o de ARCO. De novo, as pinturas recorrem \u00e0 percep\u00e7\u00e3o e \u00e0 estranheza visual com o fim de desafiar o espectador a utilizar a sua intelig\u00eancia e <em>background<\/em> de reconhecimento visual. Uma primeira aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s obras desperta um sentimento de curiosidade que leva o observador, independentemente do seu grau de indol\u00eancia mental, a querer decifrar o que v\u00ea. Da dificuldade inicial resulta a necessidade de apoio textual \u2013 um componente mais do projecto \u2013, informa\u00e7\u00e3o que tornar\u00e1 o acto de olhar num exerc\u00edcio complexo e intelectual. Com efeito, o processo de constru\u00e7\u00e3o das imagens e dos dispositivos que condicionam a sua contempla\u00e7\u00e3o s\u00e3o desvendados num livro de artista que serve de ponte entre a suposta abstrac\u00e7\u00e3o das pinturas e a apreens\u00e3o final do sentido das mesmas, entre a linguagem pict\u00f3rica de express\u00e3o hiper-realista e o conceptualismo, inten\u00e7\u00e3o igualmente impl\u00edcita no <em>Mimesis Project<\/em>. Por outro lado, um v\u00eddeo com grandes planos de exteriores, captado em andamento e a partir de um \u00e2ngulo inclinado, Por outro lado, um v\u00eddeo de grandes planos exteriores, captados em movimento e em \u00e2ngulo inclinado, completa o esclarecimento do espectador acerca de uma metodologia criativa que explora a exist\u00eancia de diferentes olhares \u2013 pontos de vista \u2013 sobre a realidade e que evoca os filmes experimentais, \u201cde caminhada\u201d, realizados nos anos 70 por \u00c2ngelo de Sousa.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Nora enquadra este trabalho num plano ideal, desenhando um mapa f\u00edsico-mental cujos contornos configuram a letra \u201cR\u201d. Uma vez delineado o itiner\u00e1rio a examinar, o artista realizou uma campanha fotogr\u00e1fica onde uma s\u00e9rie de ve\u00edculos brancos se transformaram em objecto de aten\u00e7\u00e3o. A partir das fotografias resultantes foram seleccionados, isolados, descontextualizados, ampliados e transfigurados em pintura alguns fragmentos e enquadramentos, facilitando o desvanecimento da identifica\u00e7\u00e3o da imagem total atrav\u00e9s de um efeito <em>blow up<\/em>. Nesta incurs\u00e3o no potencial abstracto da realidade circundante adverte-se uma liberdade no acto pict\u00f3rico e uma propositada conten\u00e7\u00e3o das suas habilidades t\u00e9cnicas, alheias ao virtuosismo exacerbado do hiper-realismo ortodoxo e pr\u00f3ximas do \u00e2nimo meditativo dos <em>Brancos<\/em> de Noronha da Costa e aos esquemas compositivos monocrom\u00e1ticos de \u00c2ngelo de Sousa. N\u00e3o existe alarde nem brilhantismo em excesso, mas equil\u00edbrio entre sensibilidade e pensamento, transpondo para o plano pict\u00f3rico, mediante altera\u00e7\u00f5es de escala de imagens de imagens, a fragilidade e relatividade dos limites da representa\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Nora<\/strong> &#8211; <strong>Como o Rei Midas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Faro &#8211; publicado em: <em>L+Arte<\/em>, n\u00ba35, Abril 2007<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 a imagem? Onde est\u00e1 o seu valor? O que a legitima a n\u00edvel social? E comercial? As obras de Jo\u00e3o Nora fazem perguntas e jogam com as respostas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c <em>Na nossa cultura (e, sem d\u00favida nas outras), o discurso n\u00e3o era, na sua origem, um produto, uma coisa, um bem; era essencialmente um acto \u2013 um acto colocado no campo bipolar do sagrado e do profano, do l\u00edcito e do il\u00edcito, do religioso e do blasfemo.\u201d <\/em>Michel Foulcault, O que \u00e9 um autor?<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sociologia da arte feita, na sua maioria, com telas, tintas e pinc\u00e9is? Ou um trabalho que foca aspectos da teoria sociol\u00f3gica da arte? Por vezes v\u00eddeo e instala\u00e7\u00e3o. O sistema da arte \u00e9 desafiado; as suas estruturas, institui\u00e7\u00f5es, o seu modo de recep\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o. Testando a no\u00e7\u00e3o de autoria, a viabilidade e valoriza\u00e7\u00e3o do autor nos circuitos comerciais, institucionais e sociais, relembrando as quest\u00f5es, sempre actuais, em torno da legitima\u00e7\u00e3o do objecto art\u00edstico, usando a apropria\u00e7\u00e3o, relendo fen\u00f3menos da Hist\u00f3ria da Arte \u2013 inscrevendo-se numa tradi\u00e7\u00e3o longa, desde Manet passando por Duchamp, at\u00e9 aos situacionistas e conceptualistas \u2013 a obra do artista Jo\u00e3o Nora tem-se afirmado sobretudo por uma pr\u00e1tica continuada de experimenta\u00e7\u00e3o dos limites pl\u00e1sticos, pict\u00f3ricos e expressivos da pintura.<\/p>\n\n\n\n<p>Constantes nas conversas mantidas com o artistas s\u00e3o as quest\u00f5es n\u00e3o as respostas. Nascem de forma natural, numa esplanada, num caf\u00e9, entre amigos, nas viagens, mas s\u00e3o, depois de surgirem, pensadas, reflectidas, atrav\u00e9s da escrita, de um processo de conceptualiza\u00e7\u00e3o, de considera\u00e7\u00e3o intelectual. Para Jo\u00e3o Nora, \u00e9 este o processo que define aquilo que \u00e9 o seu verdadeiro trabalho. N\u00e3o h\u00e1 obras-primas ou obras chaves, uma pintura, um objecto, um v\u00eddeo, que sejam centrais no seu discurso. H\u00e1 quest\u00f5es, muitas quest\u00f5es. Como refere, \u201cvou colocando v\u00e1rias quest\u00f5es, n\u00e3o vou para o atelier a pensar que hoje est\u00e1 um dia de sol e por isso vou pintar. Podia fazer isso, mas n\u00e3o me interessa\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 ideias, pensamentos, h\u00e1 uma procura constante de solu\u00e7\u00f5es que permitem levantar outras quest\u00f5es, ideias e mais d\u00favidas. A arte n\u00e3o responde. A arte questiona. Na obra de Jo\u00e3o Nora, \u00e9 o sistema da arte que \u00e9 interrogado, testado, confrontado com as suas perversidades, limites contradi\u00e7\u00f5es. O circuito comercial, os agentes, emissores e receptores. A aura ou o car\u00e1cter aur\u00e1tico da obra de arte. Ou a sua atribui\u00e7\u00e3o? A confus\u00e3o generalizada entre o que \u00e9 e o n\u00e3o \u00e9. E o que leva a ser. E quem diz ser.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00c0 procura da teoria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Nora (1979) estudou na ARCA, Escola Universit\u00e1ria das Artes, em Coimbra, curso que termina em 2002. O impulso para as artes competiu com uma voca\u00e7\u00e3o para as ci\u00eancias. No final, venceu a vontade de pintar. De se expressar. Depois da conclus\u00e3o do curso, \u201ct\u00e3o acad\u00e9mico como os outros\u201d, confessa-nos, faz um est\u00e1gio no Museu Nacional Machado de Castro, no \u00e2mbito do restauro. Entretanto, em 2004 e 2005, vem para Lisboa, para a escola Maumaus, que lhe oferece os instrumentos te\u00f3ricos, as d\u00favidas, a vontade de pensar. \u201cPrecisava de uma componente te\u00f3rica mais forte\u201d, diz-nos. \u00c9 neste \u00e2mbito que l\u00ea textos seminais, continuando, no entanto, a pintar. Aparecem trabalhos em v\u00eddeo e instala\u00e7\u00f5es mas \u00e9 a pr\u00e1tica da pintura que desenvolve e define visualmente o deu trabalho, no essencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Participa em v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es colectivas como \u201cO Discurso do Excesso # The Art of Crithical Thinking\u201d no Hangar K7, Fundi\u00e7\u00e3o de Oeiras, uma das mais relevantes, onde apresentou o v\u00eddeo <em>Transmuting Experience<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 na exposi\u00e7\u00e3o \u201cGPO031031405\u201d, comissariada por Miguel Amado, na Galeria Pedro Oliveira, que a Galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o mostra interesse em trabalhar com Jo\u00e3o Nora, ao ver uma s\u00e9rie de pinturas do artista, representando imagens de caixotes do lixo, recolhidas nas viagens que fez, atribuindo a um dos objectos menos considerados da nossa civiliza\u00e7\u00e3o uma aura, pr\u00f3pria da pintura, elevando-o, e mostrando igualmente, os acoplamentos simb\u00f3licos em potencia num objecto como este. Podemos identificar um pa\u00eds atrav\u00e9s de um simples caixote do lixo? Significante e significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Actualmente \u00e9 representado pela Galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o, na qual ir\u00e1 apresentar, a partir de Junho, o Projecto R, o limbo entre a figura\u00e7\u00e3o e a abstrac\u00e7\u00e3o. Um desafio \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, que decidimos n\u00e3o revelar ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Nora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Girl with white headphones looking at Louise Lawler in Kassel 2007<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Maria do Mar Fazenda &#8211; AR: Ariane de Rothschild Art Prize 2007 (cat\u00e1logo)<\/p>\n\n\n\n<p>No t\u00edtulo <em>Girl with white headphones looking at Louise Lawler in Kassel 2007<\/em>, o artista define o programa da pintura que observamos: localiza-nos no tempo, no espa\u00e7o e no contexto da ac\u00e7\u00e3o representada (a observa\u00e7\u00e3o de um quadro na Documenta de Kassel, em 2007), concentra-nos sobre a obra de Louise Lawler (artista que analisa nas suas imagens fotogr\u00e1ficas as condi\u00e7\u00f5es de recep\u00e7\u00e3o da arte contempor\u00e2nea) e, ainda, prop\u00f5e um di\u00e1logo com a hist\u00f3ria da arte, remetendo-nos para a obra de Vermeer, em particular, para a pintura <em>Girl With a Pearl Earring<\/em> (1665-75). Comecemos por nos centrar nesta \u00faltima refer\u00eancia. O pintor holand\u00eas \u00e9 conhecido por conter o mundo em obras de pequena dimens\u00e3o, ao contrario da pintura de Jo\u00e3o Nora, em que a escala \u00e9 quase real, assim como a figura, que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de Vermeer, sofre uma rota\u00e7\u00e3o revelando apenas o seu perfil &#8211; a direc\u00e7\u00e3o do olhar \u00e9 alterada; em vez de o olhar da figura enfrentar o observador, dirige-se a uma obra de arte. A inser\u00e7\u00e3o da obra de Louise Lawler remete para esta desloca\u00e7\u00e3o do olhar: a sua pr\u00e1tica consiste na an\u00e1lise do olhar sobre obras de arte (de outros artistas) e na sua apresenta\u00e7\u00e3o em contextos dos quais o espetador comum \u00e9 exclu\u00eddo (fotografias de obras instaladas nas casas de coleccionadores, obras guardadas no acervo de galerias, o processo de embalagem de obras de arte, etc.). \u00c9 tamb\u00e9m \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de uma obra de arte que se resume a ac\u00e7\u00e3o da personagem representada na tela; colocando o observador da pintura <em>Girl with white headphones looking at Louise Lawler in Kassel 2007<\/em> numa <em>mise en abyme<\/em>, desencadeando o questionamento sobre a recep\u00e7\u00e3o da arte contempor\u00e2nea &#8211; uma negocia\u00e7\u00e3o que compreende a discuss\u00e3o de ideias, o movimento entre v\u00e1rios tempos e a disponibilidade do olhar.<br><br><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Nora<\/strong> &#8211; <strong>A prop\u00f3sito de MySpace<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Montesinos &#8211; publicado em: <em>Art Notes<\/em>, n\u00ba 25, Janeiro de 2009<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira vez que tomei contacto com a obra de Jo\u00e3o Nora foi em Abril de 2006, aquando da exibi\u00e7\u00e3o do <em>Projecto Mimesis<\/em> no <em>Show Room<\/em> da galeria Gra\u00e7a Brand\u00e3o no Porto e, desde ent\u00e3o, sigo com interesse o trabalho de um artista que, sem renegar a tradi\u00e7\u00e3o realista e sensorial da pintura, tem conseguido desenvolver uma s\u00e9rie de propostas onde concilia, inteligentemente, o bem-fazer com discursos de disposi\u00e7\u00e3o conceptual.<\/p>\n\n\n\n<p><em>MySpace<\/em> \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o da segunda parte da trilogia iniciada com o projecto anteriormente mencionado, onde come\u00e7ou a abordar a quest\u00e3o da autoria a partir de processos e experi\u00eancias pict\u00f3ricas de grande exig\u00eancia e talante cerebral, integrando a pintura com outros meios, n\u00e3o como uma esp\u00e9cie de hibrida\u00e7\u00e3o mas como um recurso associado \u00e0 ideia de original e c\u00f3pia e \u00e0 reflex\u00e3o perseverante em torno dos mecanismos de legitima\u00e7\u00e3o da imagem pict\u00f3rica &#8211; em princ\u00edpio \u00fanica, original e irrepet\u00edvel &#8211; no contexto do mercado da arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto de partida de <em>MySpace<\/em>, projecto de assumido car\u00e1cter colectivo, teve lugar em Maio de 2007, com a contrata\u00e7\u00e3o do designer gr\u00e1fico Tony Fortuna, criador de um <em>flyer<\/em> no qual se lan\u00e7ava a seguinte pergunta: gostas de fotografar? Andr\u00e9 Santos, <em>roadie<\/em> da banda rock<em> Bunnyranch<\/em>, foi o encarregado de distribuir os folhetos nos locais onde o grupo ia actuando e, a partir de a\u00ed, entre todas as pessoas interessadas em participar, seis foram seleccionadas pelo pr\u00f3prio artista atrav\u00e9s de um pequeno question\u00e1rio. O prop\u00f3sito desta colabora\u00e7\u00e3o consistia em fotografar com m\u00e1quinas descart\u00e1veis, a troco de 25 euros, uma s\u00e9rie de cenas, momentos e pessoas em espa\u00e7os e contextos a meio caminho entre o \u00edntimo e o quotidiano; imagens que passavam a ser da inteira propriedade do ide\u00f3logo do projecto. As condi\u00e7\u00f5es eram simples e claras: o artista proporcionava o material de trabalho, pagava um valor monet\u00e1rio a c\u00e2mbio do registo fotogr\u00e1fico de instantes isolados e os seis elementos seleccionados assinariam obrigatoriamente uma declara\u00e7\u00e3o com a ced\u00eancia dos direitos das imagens resultantes. Ap\u00f3s uma cuidada selec\u00e7\u00e3o das mesmas, o trabalho de atelier foi desencadeado e, com este, um processo pict\u00f3rico que se serve da fotografia como ponto de partida e culmina no espa\u00e7o da galeria, plataforma comercial &#8211; pois proporciona o ambiente est\u00e1vel e favor\u00e1vel \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, venda e neg\u00f3cio de obras de arte &#8211; e discursiva &#8211; pois \u00e9 aqui que a mensagem do projecto ganha sentido e vigor, \u00e9 aqui que \u00f3leos e guaches compartem protagonismo com seis livros-documento que ajudam a descodificar o <em>back office<\/em> e a hist\u00f3ria do programa. Um por cada pessoa que cedeu fragmentos visuais das suas viv\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais <em>sui generis<\/em> da obra de Jo\u00e3o Nora \u00e9 a sua capacidade para colocar quest\u00f5es ao espectador e estabelecer di\u00e1logos amistosos entre o passado e o presente do of\u00edcio de artista. No caso espec\u00edfico de <em>MySpace<\/em>, todo o projecto responde ao mais puro esp\u00edrito do tempo actual: em rede, fugaz, descart\u00e1vel. Por um lado, a pr\u00f3pria designa\u00e7\u00e3o do projecto alude ao hom\u00f3nimo e, mais do que conhecido, s\u00edtio web de interac\u00e7\u00e3o social, fundado em 2003 e constitu\u00eddo por perfis pessoais de usu\u00e1rios que incluem redes de amigos e familiares. No atractivo e sedutor mundo da Internet, fiel \u00e0 cultura do ef\u00e9mero, rapidamente surgiram competidores, o \u00faltimo dos quais <em>Facebook<\/em>, actual deus entre as redes sociais e que, com toda a certeza, n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo. Em qualquer caso, neste \u00e2mbito, falar de projectos que se estendam ao longo de cinco ou mais anos \u00e9 raro, para n\u00e3o dizer milagroso. Por outro lado, a utiliza\u00e7\u00e3o do <em>flyer<\/em> como m\u00e9todo de divulga\u00e7\u00e3o do projecto invoca tamb\u00e9m o perec\u00edvel, um tipo de publicidade que, sejamos sinceros, acaba sempre no ch\u00e3o, espezinhado sem piedade. Arte de usar e tirar, de r\u00e1pido consumo, produto da nossa sociedade industrializada e capitalista. E n\u00e3o esque\u00e7amos tamb\u00e9m a interven\u00e7\u00e3o dos \u201cfot\u00f3grafos\u201d convidados, cujo instrumento de trabalho foi uma c\u00e2mara de fotos descart\u00e1vel&#8230; objecto de capta\u00e7\u00e3o do transit\u00f3rio, do desejo de recordar momentos entretanto perdidos e apenas com significado para os seus detentores. A transposi\u00e7\u00e3o destas imagens para tela e papel sob a forma de impress\u00f5es ou reminisc\u00eancias do calor da vida sup\u00f5e cristalizar os vest\u00edgios do reflexo de uma certa realidade. A explora\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de olhares divergentes sobre uma mesma realidade (reconstru\u00edda pelo artista) \u00e9, por certo, outro dos principais <em>leitmotiven<\/em> da produ\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Nora.<\/p>\n\n\n\n<p><em>MySpace<\/em> &#8211; obra de arte colectiva, porque colectiva foi a modalidade adoptada para a sua concretiza\u00e7\u00e3o e m\u00faltiplos foram os actores intervenientes &#8211; esbate assim os conceitos de autoria e de meio. Quem \u00e9 o respons\u00e1vel criativo? Estamos, em boa verdade, ante pinturas, quadros-foto ou espectros pict\u00f3ricos de fotografias? A conex\u00e3o e rever\u00eancia sem excessos \u00e0 arte conceptual e ao hiperrealismo torna-se portanto inevit\u00e1vel. Basta referenciar a John Baldessari e os seus <em>Commissioned Paintings<\/em> (1969), s\u00e9rie de pinturas expostas com o seu nome, mas executadas por artistas amadores e <em>sign painters<\/em> a partir de fotografias realizadas pelo pr\u00f3prio Baldessari, e a Chuck Close e os seus retratos reticulados e pixelados, aut\u00eanticas fotografias feitas com pinc\u00e9is. Em ambos casos, e tamb\u00e9m em Jo\u00e3o Nora, o objectivo n\u00e3o \u00e9 reproduzir o car\u00e1cter realista da fotografia e, no entanto, apesar do que se apresenta ao espectador ser formalmente uma pintura, a ess\u00eancia subjacente \u00e9 fotogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma fotografia e uma pintura s\u00e3o o mesmo? A grande arte \u00e9 apenas pintura? O futuro da arte contempor\u00e2nea passa por deixar de exacerbar o eu do artista? Estas e outras interroga\u00e7\u00f5es s\u00e3o lan\u00e7adas no projecto <em>MySpace<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>PS: A exposi\u00e7\u00e3o esconde um \u00faltimo segredo. Disfar\u00e7ada de pintura esconde-se uma fotografia, do mesmo tamanho e formato que os guaches. Qual ser\u00e1 o seu pre\u00e7o?<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Factos que permanecem<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f3nio Olaio \u2013 Coimbra, 02.01.2015<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo: \u201cdiante de mim, mais demorada do que nunca\u201d, aponta sobretudo para a imagem como facto, a&nbsp;imagem com algo que \u00e9, mesmo. Algo que estar\u00e1 diante de si, ou antes, diante de \u201cmim\u201d, referindo-se&nbsp;este sujeito, na primeira pessoa, ao pr\u00f3prio autor, ou mesmo ao espectador que, ao s\u00ea-lo, vai actualizando&nbsp;esta condi\u00e7\u00e3o de ter algo diante de si. Ou de \u201cmim\u201d, este \u201cmim\u201d que toma o corpo de cada um que veja&nbsp;estas imagens.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o pinturas onde se intui serem imagens de imagens, que reproduzem o que foi visto (e que persiste,&nbsp;demoradamente). Imagens \u201cdiante de mim\u201d, mesmo. Que ser\u00e3o certamente \u201cmais demoradas do que&nbsp;nunca\u201d por serem pintura. Mas que, ao afirmarem essa condi\u00e7\u00e3o, afirmam ao mesmo tempo uma origem&nbsp;objectiva, mas de instantes que se prolongam, indefinidamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E, nesta condi\u00e7\u00e3o de ser mesmo (algo que est\u00e1 perante os nossos olhos, aqueles olhos do \u201cver para crer\u201d e&nbsp;n\u00e3o os que colhem as apar\u00eancias) a objectividade \u00e9 aqui sublinhada pela afirma\u00e7\u00e3o dos corpos, afirma\u00e7\u00e3o&nbsp;dos corpos pelas marcas da viol\u00eancia, pela afirma\u00e7\u00e3o da sua condi\u00e7\u00e3o anat\u00f3mica, pela morte, ou pela&nbsp;forma como a ideia de natureza morta aqui assume um sentido literal.<\/p>\n\n\n\n<p>De certa forma, Jo\u00e3o Nora ensaia a possibilidade de anula\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, na sugest\u00e3o de momentos que&nbsp;permanecem presentes. Como se o curso do tempo n\u00e3o desse origem \u00e0 sucess\u00e3o de acontecimentos, mas&nbsp;onde cada instante permanecesse. N\u00e3o dando lugar a outro, mas mantendo a sua presen\u00e7a, numa&nbsp;densidade imensa de realidades simult\u00e2neas. Ali, perante os nossos olhos, ao ponto de n\u00e3o haver mais&nbsp;mem\u00f3rias, porque tudo permaneceria, objectivamente. Talvez a pr\u00f3pria mente se transformasse noutra&nbsp;coisa ao ver a sua capacidade de lembrar destitu\u00edda de qualquer sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>E a obra de arte como dispositivo de densificar o mundo objectivo. As suas imagens como factos, como&nbsp;factos cuja objectividade \u00e9 acrescida pelo facto de permanecerem.<\/p>\n\n\n\n<p>_______________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jo\u00e3o Nora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ana Pires Quintais<\/p>\n\n\n\n<p><em>In<\/em>VVAA (2015).<em>Anozero\u201915. Um lance de dados. Textos e ensaios.<\/em> Bienal de Arte Contempor\u00e2nea de Coimbra. Coimbra: Anozero e Edi\u00e7\u00f5es Almedina, SA. (pp. 117\u2010119).<\/p>\n\n\n\n<p>Com \u201cNas antemanh\u00e3s long\u00ednquas, o sangue dos drag\u00f5es da perda\u201d, Jo\u00e3o Nora justap\u00f5e, atrav\u00e9s de um v\u00eddeo com a dura\u00e7\u00e3o de pouco mais de 27 minutos, a imagem de um v\u00f3rtice num lago e o som extra\u00eddo de uma entrevista de 1968 dada por Marcel Duchamp \u00e0 BBC. Tenta-\u00adse criar, segundo o artista,\u201cuma reflex\u00e3o acerca do pensamento de Duchamp\u201d<sup>1<\/sup> e da sua esmagadora influ\u00eancia na arte contempor\u00e2nea. Nesta apelativa met\u00e1fora visual, Nora oferece\u00ad\u2010nos Duchamp atrav\u00e9s de imagens mentais que implicam turbilh\u00e3o, remoinho, voragem. Num lago de \u00e1guas pouco cristalinas, o v\u00f3rtice surge para criar confus\u00e3o, para baralhar a corrente natural, para sugar os diversos materiais que b\u00f3iam no fluxo das \u00e1guas, desviando\u2010os do nosso olhar, enviando\u00ad\u2010os para um lugar invis\u00edvel, profundo, expondo-\u00ados ao risco da destrui\u00e7\u00e3o e da transforma\u00e7\u00e3o, neste fazer engenhoso de um poderoso <em>maelstrom<\/em>. Imagem e movimento conjugam\u2010se num escoamento girat\u00f3rio, numa r\u00e1pida e quase alucinante elipse ao som da voz tranquila de Duchamp que nem a aguda rispidez da voz da sua entrevistadora consegue quebrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em pleno Col\u00e9gio de Jesus, edif\u00edcio que alberga grande parte das colec\u00e7\u00f5es cient\u00edficas da Universidade de Coimbra, um esp\u00f3lio constitu\u00eddo por objectos raros e preciosos, a pe\u00e7a art\u00edstica de Jo\u00e3o Nora remete, n\u00e3o s\u00f3, para a introdu\u00e7\u00e3o do aspecto preciso e calculado da ci\u00eancia nos trabalhos de Duchamp, como para a pr\u00f3pria interroga\u00e7\u00e3o aparentemente irresol\u00favel do que \u00e9 arte. Arte que, se originada no s\u00e2nscrito, pode corresponder a um <em>fazer<\/em>, conforme diz o autor de <em>Le Grand Verre, em<\/em> entrevista a Pierre Cabanne,<sup>2<\/sup> e tamb\u00e9m se auto\u2010designa de \u201cengenheiro do tempo perdido\u201d. Engenheiro e inventor de \u201cm\u00e1quinas femininas\u201d<sup>3<\/sup> que mostram a inser\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u2013 atrav\u00e9s de robots e m\u00e1quinas \u2010 na pintura moderna. Figuras sem corporalidade, sem r\u00e9stia de humanismo que, de acordo com Octavio Paz, sugerem um Duchamp que est\u00e1 apenas interessado<\/p>\n\n\n\n<p>na \u201cbeleza da indiferen\u00e7a\u201d, uma beleza desligada da sua pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o, localizada entre o romantismo dos poetas simbolistas e o campo da cibern\u00e9tica contempor\u00e2nea. Uma indiferen\u00e7a que pode ser abstracta, uma obra e um artista que Nora lan\u00e7a para \u201c(&#8230;) l\u00e1 longe, na luz circular do dia shinto\u00edsta inquirindo da minha constante indiferen\u00e7a abstracta\u201d, numa imagem que termina o fragmento iniciado pelo t\u00edtulo do seu v\u00eddeo<sup>4<\/sup>. Uma indiferen\u00e7a que parece ser confirmada atrav\u00e9s de <em>Le Grand Verre<\/em>, por exemplo, e dos v\u00e1rios <em>ready-\u00admade<\/em> que Duchamp cria, uma beleza que, sem o ser, vai para al\u00e9m da impress\u00e3o \u201cretiniana\u201d e se formula como ideia, provocando a participa\u00e7\u00e3o do espectador na feitura da obra, tal como o artista franc\u00eas ter\u00e1 um dia afirmado<sup>5<\/sup>, numa co\u2010participa\u00e7\u00e3o que Jo\u00e3o Nora anuncia atrav\u00e9s do t\u00edtulo do seu trabalho. Este \u00e9 um t\u00edtulo que inquieta pela aus\u00eancia de verbo e que parece remeter para o observador\/espectador essa vontade de <em>fazer<\/em>. Um t\u00edtulo que parece ser uma sugest\u00e3o dada\u00edsta, mas que se trata, na verdade, da primeira frase de um fragmento do <em>Livro do Desassossego<\/em>, abrindo espa\u00e7o a novas e incessantes interpreta\u00e7\u00f5es numa intertextualidade que cria m\u00faltiplas camadas de sentido e que redimensionam o pr\u00f3prio objecto de arte.<\/p>\n\n\n\n<p>Outubro, 2015<\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup>Ver sinopse da pe\u00e7a art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup>Duchamp, Marcel (1966\/2002). <em>Engenheiro do Tempo Perdido. Entrevistas com Pierre Cabanne<\/em>. Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim, pp.9.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>3<\/sup>Octavio Paz (1978\/2011). Marcel Duchamp. Appearance Stripped Bare. New York: Arcade Publishing, pp. 16.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>4<\/sup>\u201cNas antemanh\u00e3s long\u00ednquas o sangue dos drag\u00f5es da perda, na tarde obl\u00edqua a incerteza dos seus voos chineses \u2014 com mandarins sup\u00e9rfluos discutindo est\u00e9reis impossibilidades, l\u00e1 longe, na luz circular do dia shinto\u00edsta inquirindo da minha constante indiferen\u00e7a abstracta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><sup>5<\/sup>Em Duchamp, Marcel (1966\/2002). <em>Engenheiro do Tempo Perdido<\/em>pp. 212.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Nora &#8211; Blow Up &#8211; Imagens de Realidade Fernando Montesinos &#8211; publicado em: Art Notes, n\u00ba 14, Mar\u00e7o de 2007 Nos \u00faltimos anos, a pintura tem assistido ao reconhecimento e \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o da sua capacidade de mudan\u00e7a e adapta\u00e7\u00e3o face \u00e0s novas realidades e paradoxos do mundo contempor\u00e2neo. 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